O deus indiferente permanece no alto das nuvens, observando friamente o mundo dos mortais. Répteis sem cauda se escondem entre o inverno e a primavera, sussurrando segredos. O demônio de oito tentácul
A noite estava espessa.
No quarto um tanto apertado, um jovem jazia suado sobre a cama. Sob as pálpebras cerradas, os olhos se reviravam incessantemente, e até mesmo seu semblante estava distorcido, sem que conseguisse acordar. Evidentemente, seus sonhos daquela noite estavam longe de ser agradáveis; talvez fosse mais correto chamá-los de pesadelos.
Ofegando de súbito, o rapaz sentou-se na cama. Acabara de escapar do pesadelo e seu rosto mostrava-se pálido, o peito subindo e descendo em respirações violentas, como um fole. Abraçou a cabeça com as mãos, demorando-se um bom tempo até conseguir acalmar-se do susto que o perseguia dia após dia.
Sem vontade de voltar a dormir, Alwin levantou-se vestindo seu pijama de linho, serviu-se de um copo d’água já morna e, de pé diante da janela, fitou o exterior com um olhar profundo e insondável.
“Mais uma vez aquele pesadelo”, murmurou.
Alwin Garret era descendente de uma família nobre arruinada — ou melhor dizendo, de uma família que outrora fora nobre. Desde aquela noite de sangue e fogo, três anos atrás, a honra, as riquezas e até mesmo os familiares haviam se afastado de sua vida.
Como tradicional nobre de terras do Reino de Ilíria, um arquipélago, a família Garret detinha o título de barão e já fora, em tempos passados, muito respeitada.
A origem da família era quase lendária: Garret, um explorador plebeu, foi um dos pioneiros da Era das Grandes Navegações. Pilotando seu próprio navio de exploração, enfrentou recifes traiçoeiros, tempestades e bestas marinhas ferozes, atravessou o Mar d