À Beira da Terra Pura

À Beira da Terra Pura

Autor: Lâmpada de Flores de Marmeleiro
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Alguns dizem que este lugar é o paraíso, outros afirmam ser o inferno. Direito à evolução, direito à moradia, direito ao trabalho, direito à fé, direito ao cultivo, direito ao porte de armas, direito

Capítulo 1: Celebração Nacional

Mais uma vez, Lúcio não estava bem.

Sua cabeça latejava como se estivesse prestes a se partir, parecia que milhares de agulhas de aço penetravam simultaneamente em seus nervos; seu corpo dava a sensação de se fragmentar e desmoronar centímetro por centímetro. Respirou fundo, suportando a dor, e não soltou um único gemido, mesmo com o suor escorrendo pelo rosto e as unhas cravadas na carne.

Instintivamente, tentou pegar o remédio, só então se lembrando de que já fazia uma semana desde que ficara sem ele.

Com um movimento brusco, varreu a mesa, fazendo cair uma pilha de frascos vazios, espalhando-os pelo chão.

O dormitório estava silencioso, a janela fechada tremia levemente com o vento frio; do lado de fora, o muro do prédio exibia manchas, o aparelho de ar-condicionado velho ainda pingava água, e no topo da árvore seca havia um ninho de pássaros.

Demorou para se recompor, deitado na cama, respirando com dificuldade, com o olhar perdido.

Quando finalmente abriu a mão, viu que estava cheia de sangue.

No calendário amarelado pendurado na parede, os dias estavam marcados com círculos vermelhos.

Hoje era 17 de julho de 2046, terceiro mil e um dia da luta de Lúcio contra o câncer. Desde que parou de tomar o remédio, precisava suportar diariamente aquela dor excruciante. Não sabia quanto tempo ainda conseguiria aguentar; teoricamente, após interromper o tratamento, a morte não estava longe.

— Lúcio, estamos indo! — ouviu batidas na porta do dormitório. Heitor apareceu, espiou preocupado e perguntou: — Você tem certeza de que

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