Xu Xiangyang tinha dois grandes amigos: uma era a vizinha que morava no mesmo beco, e a outra, a líder de turma da sala ao lado; mas Xu Xiangyang guardava um segredo inconfessável — ele sabia que uma
O nevoeiro tênue da manhã ainda não se dissipara totalmente no comprido beco estreito, tornando a luz do alvorecer que caía do alto fria e distante. O sol ainda não atingira uma altura visível ao simples levantar dos olhos, e o céu permanecia enevoado e pálido.
Todos os dias, ao sair e ao voltar da escola, o cenário que se descortinava era sempre o mesmo. Se tivesse que destacar uma diferença, seria o retorno ao fim das aulas, quando o chão ainda guardava o calor residual, como se lençóis tivessem ali repousado o dia todo.
Xu Xiangyang fechou a porta, trancou-a cuidadosamente com a chave, e desceu os degraus com a mochila às costas, encolhendo o pescoço, arrepiado pelo frio.
— Já estamos na primavera… — murmurou ele, esfregando as mãos enquanto vozes e sons de gente se mesclavam ao redor.
A maioria das famílias ao longo do beco já havia despertado; vez ou outra, via-se alguém de pijama, bocejando, saindo para buscar água ou jogar o lixo. O som das crianças correndo, os chamados dos adultos, o tilintar de panelas e tigelas — tudo transbordava vida, revelando aquele canto da cidade lentamente despertando de seu sonho noturno.
Erguendo a cabeça, via-se fios elétricos negros cruzando o céu até o poste na esquina. Abaixo, fileiras de roupas balançavam ao vento, estendidas para secar.
O beco era tão estreito e as beiradas dos telhados tão baixas que um descuido bastava para tocar as roupas penduradas por outros. Nas temporadas de chuva, as peças nos varais nunca deixavam de parecer ensopadas. Xu Xiangyang caminhava cabisbaixo, desviando deli