Na década de oitenta, após o casamento, uma madrasta assume o cuidado de várias crianças e, com o tempo, o amor floresce. Ao abrir os olhos, Siran descobre-se transformada numa falsa herdeira de um ro
Assim que Si Nian recobrou a consciência e digeriu as memórias estranhas, ouviu o som de uma mulher chorando e reclamando.
— O que podemos fazer então? Você realmente quer que nossa filha de sangue se case com um velho que já tem três filhos? — soluçava a mulher. — Ela já sofreu por mais de dez anos. Não é que eu não ame a Nian Nian, mas, de qualquer forma, ela é nossa filha de verdade.
Si Nian, com a visão turva, lançou um olhar para o casal ao lado da cama — um homem de meia-idade, na casa dos quarenta, tragando um cigarro com a testa franzida, e uma mulher enxugando as lágrimas.
Fazia dois dias desde que Si Nian havia entrado nesse livro, mas, devido ao estado precário do corpo original, ela não conseguira despertar completamente, absorvendo aos poucos as memórias novelescas e dramáticas da cabeça.
Ela havia atravessado para dentro de um romance, e pior, nos atrasados anos oitenta.
Como se não bastasse, era uma falsa filha rica.
A filha verdadeira havia aparecido um mês antes, dizendo ser a legítima, e após um teste, a verdade veio à tona.
A situação da protagonista original tornou-se, então, delicada. A verdadeira filha crescera em uma família pobre do campo, enquanto a falsa jamais quisera levar vida difícil, com medo de ser expulsa pelos pais adotivos, passando a fazer escândalos e recusando-se a ir embora.
O problema maior era que, nesse momento, a falsa estava noiva do filho de um comandante do bairro militar, prestes a casar-se com um herdeiro abastado, quando a verdadeira filha apareceu, destruindo todos os planos