Xu Shuning, na vida anterior, depois de morrer de exaustão, viu com os próprios olhos a enorme fortuna que tanto se esforçara para construir ser repartida; a filha que ela tratava como um tesouro foi
No décimo ano de Qianyuan, no início ainda gelado da primavera, um grande e luxuoso navio singrava rumo ao norte.
Xu Shuning estava recostada na cama, envolta nas cobertas, observando pela janela a paisagem enevoada pela chuva.
Esperava em silêncio a chegada da mudança... Nesta vida, não poderia mais repetir os mesmos erros.
O casco do navio tremeu levemente, e lá fora ergueu-se um alvoroço: passos apressados, gritos de pânico...
Xu Shuning ergueu-se com agilidade; primeiro fechou a janela e depois empurrou um baú até encostar na porta, travando-a.
Naquele mesmo momento de sua vida anterior, ela havia escutado a mãe, a senhora Zhou, mandá-la ir agradecer à esposa do conde de Yongding; mal chegara à saída, deu de frente com os piratas de rio.
Para se salvar, a senhora Zhou a empurrou para fora e ainda trancou a porta, cortando sua retirada.
Xu Shuning foi agarrada pelos piratas; arrancou um grampo de cabelo e feriu um deles, aproveitando a confusão para se lançar no rio gelado.
Os piratas, enraivecidos, também saltaram na água; um deles ergueu o sabre curvo e golpeou-lhe brutalmente as costas.
Felizmente, pessoas do Tribunal do Grande Julgamento chegaram a tempo, e ela foi salva por Fang Ruohui, vice-magistrado daquele tribunal.
Mas, a partir de então, seu corpo ficou com uma sequela: toda vez que menstruava, a dor era lancinante, e, depois de casar, ainda lhe foi difícil conceber filhos.
O que acontecia naquele dia era o início da vida amarga que a aguardava pelo resto dos anos...
Quando terminou tud