No mundo errante, nunca houve um caminho de justiça; quando há muitos heróis, então o caminho surge. Sê também um herói à beira da estrada, e não um herói por toda a vida.
No segundo mês, quando o desabrochar da primavera chega, a estação já passou do auge. Nessa época, todas as casas costumam bater nas vigas com ramos de salgueiro para afugentar a má sorte e as doenças, e também para chamar de volta os mortos queridos. Nos últimos sete dias do primeiro mês, enviam-se as almas de retorno ao Portão dos Fantasmas; mas há também fantasmas apegados ao mundo dos vivos, relutantes em partir, e por isso, no décimo quinto dia do segundo mês, usam-se os ramos de salgueiro para expulsá-los.
Só que havia um rapaz diferente.
Enquanto todas as casas se ocupavam com pressa, ele estava encostado a uma árvore verde, com uma revista cobrindo os olhos. A revista se chamava Histórias que a Seita da Estrela Polar Não Podia Deixar de Contar, e abaixo havia uma letrinha: Produção de An Jiujiu.
Vestia uma túnica de pano por cima de uma roupa branca de baixo, e ao lado tinha uma espada simples. Embora fosse uma espada comum, daquelas que se veem em qualquer esquina, era muito bem cuidada e brilhava sob o sol que escapava entre as sombras da árvore.
“Hehehe...”
O rapaz começou a murmurar em sonhos.
“Hehehehe...”
A risada ficou ainda maior.
“Sou um grande herói... heh... sou um grande imortal da espada... autógrafo, duzentos...”
Mesmo dormindo, o sorriso do rapaz ia de orelha a orelha; dava para imaginar quão esplêndido era o sonho que ele estava tendo.
“Yi Espadacoração!!!”
Um rugido o despertou do doce sonho. Ele levantou a cabeça de supetão, a revista caiu, revelando um rosto inteiramente comum. S